29/01/2026

Cibersegurança como soberania: o legado do Grupo RG Eventos na COP30

Durante a COP30, um dos eventos mais sensíveis do cenário geopolítico global, a segurança digital deixou de ser apenas um requisito técnico e passou a ocupar o centro da estratégia. À frente da implantação do Centro de Inteligência Cibernética (CIC – NOC/SOC) da Green Zone esteve o Grupo RG Eventos, sob coordenação de José de Souza Junior.

Ao longo desta entrevista, ele detalha não apenas os bastidores da operação, mas a visão que guiou o projeto — uma visão que trata dados, método e inteligência como instrumentos de soberania.

Como surgiu a oportunidade para o Grupo RG Eventos liderar a implantação do CIC na COP30?

A oportunidade começou a se desenhar em uma reunião estratégica em Bonn, na Alemanha, na sede da UNFCCC, com o diretor de Tecnologia da SECOP, Milton Sampaio, representando o Governo Federal. Ali ficou claro que a COP30 exigiria uma operação de cibersegurança compatível com sua relevância política, ambiental e simbólica.

“Os dados são o ponto de partida e a referência.
Mas eu enxergo esse passo inicial como a fundação de um principado digital.”

O Grupo RG Eventos já acumulava experiência em operações complexas e vinha investindo, de forma contínua, na construção de uma visão própria sobre cibersegurança aplicada a grandes eventos. Não como acessório tecnológico, mas como elemento estrutural de governança.

“O investimento contínuo em estudos ao longo desses anos não é um detalhe acadêmico.
É acreditar no conhecimento — e, sobretudo, colocá-lo em prática.”

Desde o início, o projeto foi concebido sob o princípio da soberania tecnológica, integrando marcos regulatórios brasileiros, expertise qualificada e uma ambição clara de deixar um legado que extrapolasse a COP30.





Como os parâmetros do MGI influenciaram a arquitetura do Centro de Inteligência Cibernética?

Os parâmetros do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos funcionaram como eixo de racionalidade e disciplina do projeto. Governança integrada, gestão de riscos, interoperabilidade e proteção de dados moldaram uma arquitetura em camadas, orientada a missão crítica.

“Existe uma frieza necessária nesse tipo de operação.
É como um xeque-mate: método, tempo e precisão.”

Cada ativo do ecossistema digital da COP30 foi mapeado, classificado e monitorado de forma contínua. A inteligência aplicada, a automação e a correlação avançada de eventos não tinham como objetivo apenas reagir, mas antecipar.

“Não se trata de acumular ferramentas.
Trata-se de transformar dados em decisão — e decisão em controle.”

 

A equipe do CIC contou com 15 profissionais. Como essa estrutura foi pensada?

A equipe foi organizada como um organismo vivo, dividido em células especializadas, mas operando sob uma lógica única de inteligência. SOC, NOC, Threat Intelligence, Engenharia de Segurança e Coordenação Estratégica atuaram de forma integrada.

“A autoridade técnica não se constrói com discurso.
Ela se constrói com método, consistência e entrega repetida sob pressão.”

Mais do que monitorar, a equipe foi treinada para interpretar contexto, correlacionar sinais e responder com clareza — mesmo em um ambiente temporário, altamente dinâmico e sob constante escrutínio internacional.

 

Quais foram os maiores desafios técnicos da operação?

O principal desafio foi implantar, em tempo limitado, uma estrutura de missão crítica em um ambiente temporário, com múltiplos fornecedores, milhares de usuários e uma superfície de ataque em constante mutação.

“Ambientes temporários exigem decisões definitivas.
Não há espaço para improviso quando o risco é sistêmico.”

Somado a isso, o contexto amazônico impôs desafios adicionais de conectividade e logística, tornando a resiliência operacional um requisito absoluto.

 

Que lições a COP30 deixa para outros megaeventos?

A maior lição é que a cibersegurança precisa nascer junto com o evento, não ser adicionada depois. Ela deve estar no mesmo nível estratégico da segurança física e da governança institucional.

“Ferramentas não criam segurança.
Processos maduros, pessoas preparadas e inteligência integrada, sim.”

A experiência também reforçou o valor de uma empresa brasileira liderando a operação, com domínio regulatório, técnico e contextual.

 

Quais tendências essa experiência revela para o futuro?

Centros Integrados de Inteligência Cibernética deixam de ser diferenciais e passam a ser pré-requisito. Modelos Zero Trust, IA aplicada à correlação de eventos e soberania sobre dados tornam-se inevitáveis.

“Minha ambição não persegue a visibilidade comum.
Ela busca soberania: domínio de narrativa, consistência de entrega e permanência de influência.”

 

Qual é o legado da COP30 para o Grupo RG Eventos?

Mais do que uma entrega técnica, a operação da COP30 consolidou um posicionamento.

“Transformar o legado da COP30 e a estrutura de cibersegurança do Grupo RG em um padrão de excelência não é retórica.
É criar aquele tipo de referência que o mercado, cedo ou tarde, é obrigado a seguir.”

O CIC da Green Zone simboliza a consolidação de uma autoridade intelectual construída ao longo do tempo, baseada em conhecimento aplicado, método rigoroso e visão estratégica.

“É um movimento para consolidar uma autoridade difícil de contestar e impossível de ignorar.”


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